Por Onde Anda Alessandro Taludo?
Talvez Alessandro Taludo não fosse Alessandro Taludo não fosse ele autor de músicas clássicas da chamada nova Música Popular da Brasileira, como Ultraje ao Sujismundo, Limpando a Geladeira Libidinosa ou Amando sobre as Saias da Vossa Mãe. Talvez Alessandro Taludo não fosse Alessandro Taludo se não tivesse escrito naqueles idos 1985 aquilo que foi considerado o grande dicionário da sonoridade nacional: A Flor da Puberdade. Talvez Alessandro Taludo não fosse Alessandro Taludo se não tivesse subido no palco com Raul Seixas para cantar O Diabo é o Pai do Rock e dedicá-lo a Robert Carlos. Talvez. Quem observa o jeito sereno, sem porte e sem dom desse mais nobre filho da pequena Thermas de Ibirá, interior de São Paulo, que nascera surdo-mudo e que adquiriu o gosto pela música ao ver o pai batucando lata nu sobre o telhado quando os sons lhe começavam a fazer sentido, imagina que o destino lhe concedeu mais de uma dúzia de oportunidades – fortuna, no jargão maquiavélico – para se tornar Alessandro Taludo. Enganam-se, pois. É fato que Alessandro Taludo só é Alessandro Taludo porque um dia resolveu escrever uma carta de repúdio a Ney Matogrosso, quando não somava oito anos. Foi na época em que o mais famoso membro dos Secos e Molhados andava enamorado com a cidade de Thermas de Ibirá, tomando banhos que lhe tomavam dias nas banheiras curandeiras do Balneário Adhemar de Barros. O garotinho, fã declarado de clássicos como O Vira e Sangue Latino, veio até o ídolo e entregou-lhe a carta, que continha um pedido eloqüente: que virasse macho. Considerando aquilo um insulto, Matogrosso não pensou duas vezes em mandar o menino correr e sumir da sua frente. O menino, criado entre bois e princesas, não arredou o pé. “Olha que te dou, hein!”, emendou, furioso, o cantor, erguendo a palma das mãos sobre o pequeno Taludinho. Foi encarado com a mesma firmeza: o guri disse que não era ofensa, mas sim uma dica. Era um bom cantor e intérprete, mas que deixasse a vozinha para Elis Regina. Que cantasse como Jerry Adriani ou Nelson Gonçalves e faria mais sucesso com as mulheres. Matogrosso, então, perdeu a estribeira e mostrou as partes para Taludinho, que no dia seguinte relatou tudo, nu e cru, sobre o ocorrido, na Folha de T. de Ibirá. Revoltada, a cidade caçou o direito de ir-e-vir de Ney Matogrosso no interior de São Paulo, sob as palavras de ordem: “Vira macho, vira macho!”. Sobrou para o prefeito, Zé da Carnaúba, o problema de arranjar alguém, então, para cantar no festival de aniversário da cidade. Sobrou para Taludinho. De lá para cá, o rapaz tornou-se um fenômeno de carisma e coragem. Nascia dali um gênero musical talhado em marketing até então desconhecidos nas esteiras do mercado fonográfico: a agressão a outrem. Não houve uma música feita pelas mais de Alessandro Taludo que não destruiu, sem deixar rastros, os mais indefectíveis ídolos dos concertos para a Juventude. Foi desse tempo, mais precisamente no ano do lançamento de “Eu digo é Proibido Parar de Proibir”, de 1991, que Taludo passou a ser conhecido como William Safire da MPB. O jargão veio-lhe de bom grado. Dali em diante, o cabritinho, como era chamado na chácara onde cresceu, não fez outra coisa na cidade grande senão bater nos ditos incontestáveis. Assim, por pouco não acabou com a carreira de Chico Buarque quando estourou a música “Eu enfio o dedo no cúmplice”, sobre as relações do hoje sexagenário compositor com Toquinho. Hoje, aos 30 anos, Taludo diz de boca cheia que já fez de tudo na vida. Músicas de amor, de construção e de destruição, ode ao burguês e ode a João Pedro Stédile. Lamenta, somente, não ter se reencontrado nunca mais com Ney Matogrosso, de quem jamais escondeu a admiração. “Ah, se fosse homem!”, resume. Bem diferente daquele Taludo que não perdoava nem mesmo o pai, Rodrigo Taludo, ex-deputado federal pelo Amapá, o compositor hoje diz que não quer saber de briga: quer saber, isso sim, de literatura de ficção cientifica. Para julho deste ano, ele promete o lançamento de Kirk, um intruso no país de meu avô, baseado em conto norueguês. É esperar para ver.

3 Comments:
Ae, uma história muito legal, só que é irreal. Termas de Ibirá, é distrito até hoje e não tem prefeito. Nunca existiu esse jornal ai Folha de Termas de Ibirá.
E nada consta em Ibirá desse tal Alessandro...
Eu fui gerado em Ibirá, sede do Município, onde localiza-se o ontem Bairro e hoje distrito das Termas de Ibirá, nunca ouví essa história. será que é verdade ou simples ficção? No mínimo quem a contou conhece Ibirá!!!!!!!!!!
O fato é que as Termas de Ibirá, foi um berço de artístas, joguei muita bola com o ex marido da Rita Lee, inclusive a alguns anos ele esteve nas Termas e eu falei com ele, ainda tocou um violãozinho, eram artístas, jogadores de futebol, empresários; também joguei ping pong com o Flávio Maluf, isso quando ele deixava, era o dono da mesa, vé o Ademar de BArros algumas vezes chegando para se hospedar no Grande Hotel das Termas de Ibirá. A história das Termas é muito bonita, merece ser escrita, mas está se perdendo. Então é possível que este Taludo possa ter passado por aquí, e tenha deixado apenas o codinome.
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